sábado, 14 de janeiro de 2012

Analogias...

Estão em todo o lado, usamo-las para tentar por alguma lógica naquilo que a nossa mente não consegue interpretar satisfatoriamente recorrendo unicamente os respectivos conceitos banalmente utilizados, usamo-las para suavizar ou, pelo contrário realçar, os ângulos mais agudos de um pensamento,  usamo-las para acrescentar humor ou drama a tudo o que nos rodeia.

Não faz muito sentido... ou faz, mas apenas se assumir-mos que todos interpretamos da mesma forma o universo, ao  qual temos obrigatoriamente que recorrer (reduzido glossário o nosso...) quando brincamos ás analogias.
Caso assim não seja, o que no meu imperceptível achar, faz mais do que sentido, sendo quase uma certeza, todas as analogias que fazemos acabam por abrir portas a uma interpretação infinitamente mais extensa do que a pretendida (partindo do ínicio que existe uma), tornando assim contraproducente a sua utilização, se considerarmos que o objectivo era o "anabolismo" de interpretações, e não o "catabolismo" que nos remete de novo ao caos de significâncias.

Então, porque o fazemos? Dá muito mais trabalho... e trabalho é evitado certo? NÃO, contrariamente a ideia establecida, cheguei á conclusão (no meu humilde achar ) que isto é totalmente inverso á realidade... 
"Trabalho" mantém a mente saudável, todos os dias gritamos em silêncio por "trabalho". Adoramos "trabalho"... Estamos (ou eu pelo menos estou) sempre a acrescentar mais algum pequeno "je ne sais quoi" a tudo aquilo que fazemos ou dizemos (quando pensamos não, porque ele vem do mesmo sitio do pensamento em si, portanto são gémeos de nascença), parece conferir um pouco da essência de cada um ao produto final, como um floreado indicativo de que aquela ideia não é só uma ideia... tem uma alma lá gravada.

 Será esse o propósito das analogias, ao invés daquele referido primeiramente? 
Pode ser apenas uma necessidade de dar um toque pessoal e criativo á coisa... de impingir na ideia virgem, a nossa visão da mesma, como quem apresenta alguém e insiste em fazer a introdução minuciosa da mesma pessoa, mesmo esta tendo voz e estando presente. (et voilá uma analogia ...)
Estamos sempre a tentar cravar a nossa marca em tudo, acho mesmo que pode bem ser para isso que cá estamos (ou alguns achamos que assim é), no fundo acho que até a mais bradipsiquica das mentes tem um remanescente de potencial criativo que se agoniza em silêncio com a crescente necessidade de algo diferente e original (passamos a vida toda a tentar organizadamente banalizar a nossa existência para no fim a nossa necessidade ir ao encontro de uma nova versão de caos, "á nossa maneira"). 
Vou até mais longe quando me ocorre que maioritariamente nessa necessidade de catarse criativa, reside a esperança evolutiva positiva destes bichinhos caóticos.


ps: Sandrinha pensei em fazer-te umas referências ou tags mas podias não interpretar as analogias da mesma forma que eu portanto deixo o espaço ao teu critério.

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